A China rejeitou nesta sexta-feira (14) as advertências dos serviços de inteligência britânicos que alertaram sobre as atividades de uma suposta agente de Pequim no Parlamento do Reino Unido, ironizando que eles viram muitos filmes de James Bond.

“Pode ser que algumas pessoas tenham visto muitos filmes do 007”, disse à imprensa um porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin.

Wang reagiu à publicação na quinta-feira pela mídia inglesa de uma nota de alerta do MI5, a qual acusava uma mulher chamada Christine Lee de “participar conscientemente de atividades de interferência política”.

Supostamente Lee trabalhava para um órgão do Partido Comunista chinês encarregado de estabelecer os vínculos entre o governo e entidades estrangeiras.

O eurodeputado conservador britânico Iain Duncan Smith, muito crítico sobre Pequim, expressou sua preocupação pelo fato de Lee não ter sido detida e que apenas teve a entrada proibida no Parlamento.

Segundo o MI5, ela agiu como intermediária no pagamento de “doações financeiras a partidos políticos, parlamentares, aspirantes a parlamentares e pessoas que se propõem a ocupar cargos políticos no Reino Unido” em nome de pessoas com sede na China ou Hong Kong.

Parlamento Britânico durante sessão extraordinária para decidir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters
Parlamento Britânico durante sessão extraordinária para decidir o futuro do acordo do Brexit — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Reuters

Neste esquema, ela supostamente pagou centenas de milhares de libras esterlinas a Barry Gardiner, ex-alto dirigente do Partido Trabalhista, e ao próprio partido.

Também foi fotografada com o ex-primeiro-ministro conservador David Cameron em 2015, assim como com o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn em outra ocasião.

Em 2019, Christine Lee foi condecorada pela primeira-ministra conservadora Theresa May em reconhecimento à sua contribuição para as boas relações com a China.

Por sua vez, a diplomacia chinesa garantiu respeitar o princípio de não interferência nos assuntos de outros países. “Não estamos interferindo nem precisamos disso”, afirmou Wenbin.

 

Fonte: g1.com
Foto: Alberto Pezzali/AP