Aos gritos de “Liberdade, liberdade!”, cerca de 160 mil pessoas manifestaram-se ontem na França contra as medidas decididas pelo governo para lutar contra o avanço da epidemia de covid-19, que ganha terreno com a variante delta.

Em Paris, uma manifestação de “coletes amarelos”, a revolta que abalou o país durante o inverno de 2018-2019, começou na Praça da Bastilha e foi marcada por incidentes esporádicos entre manifestantes e policiais. Nove pessoas foram detidas, de acordo com o Ministério do Interior.

Outra concentração ocorreu no Trocadero, perto da Torre Eiffel, onde o ex-eurodeputado da extrema direita Florian Philippot denunciou o “apartheid” promovido pelo executivo francês e pediu a renúncia do “tirano” presidente Emmanuel Macron.

De acordo com um comunicado do ministério do Interior, 168 detenções foram realizadas nos protestos pelo país.

No dia 12 de julho, Macron instituiu a vacina contra a covid-19 obrigatória para todos os profissionais do setor da saúde, cuidadores de idosos e bombeiros. Na ocasião, ele também anunciou que o passaporte sanitário será obrigatório para todos que desejam manter uma vida social normal.

O anúncio das novas medidas por Emmanuel Macron teve o efeito de acelerar a vacinação na França: 39 milhões de pessoas, ou 58% da população total, receberam pelo menos uma dose até sexta-feira e 48% estão totalmente vacinados.

Mas depois de uma queda na primavera, o número de contaminações explodiu na França sob o efeito da variante delta, altamente contagiosa, passando de 4.500 no dia 9 de julho para quase 21.500 na sexta-feira. A epidemia já matou mais de 110 mil pessoas na França até o momento, de acordo com o site oficial santepubliquefrance.fr.

A maioria dos franceses (76%) é a favor da vacinação obrigatória para o pessoal de saúde, segundo pesquisa publicada em 13 de julho, um dia após o anúncio da medida.

A obrigatoriedade do passe sanitário (vacinação completa ou teste negativo recente) para ter acesso a locais públicos também é apoiada pela maioria da população.

 

Fonte: UOL
Foto: Sameer Al-Doumy/AFP