Na noite de ontem, o jornal britânico The Guardian publicou um editorial criticando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na opinião expressa pelo jornal, o político coloca não só o Brasil em risco, mas o planeta inteiro.

A publicação cita os mais de 60 mil brasileiros mortos em março por causa da pandemia da covid-19 e lembra que Bolsonaro já criticou o uso de máscaras, além de se posicionar contra as medidas de isolamento social e à vacinação.

“A perspectiva do extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de difamar mulheres, LGBTs e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade”, afirmou o jornal, que ainda citou a perseguição a críticos de seu governo e o aumento do desmatamento na Amazônia.

 

Tentativa de golpe

O jornal ainda disse que Bolsonaro, além de contribuir para o desastre da pandemia no Brasil, não parece medir esforços para continuar no poder.

“Na semana passada, ele demitiu o ministro da Defesa, um general aposentado e amigo de longa data que, no entanto, parece ter feito objeções às tentativas de Bolsonaro de usar as forças armadas como ferramenta política pessoal. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea também foram demitidos – supostamente quando estavam prestes a renunciar”, explicou o editorial.

O gatilho para isso, diz a publicação, foram as anulações das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se tornou novamente elegível.

The Guardian também lembrou o episódio da invasão ao Capitólio, nos Estados Unidos, quando Donald Trump perdeu as eleições para a presidência do país. “Se eles tivessem sido organizados, os invasores teriam se apoderado do Capitólio e feito demandas pré-estabelecidas. Eles teriam poder de fogo suficiente para garantir que nenhum deles morresse e para serem capazes de matar todos os policiais ou os congressistas que eles tanto desprezam”, disse Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, na época.

Apesar de Bolsonaro estar perdendo popularidade, o jornal britânico ainda acredita que o presidente possa buscar apoio “àqueles que ele julga mais obedientes; os oficiais mais jovens sempre foram mais entusiasmados com Bolsonaro. Os políticos da oposição pressionam pelo impeachment, com um aviso: ‘Há uma tentativa aqui do presidente de arranjar um golpe – já está em andamento'”.

“A possibilidade do retorno de Lula é suficiente para concentrar mentes da direita em encontrar um candidato alternativo, menos extremista do que Bolsonaro. Pode ser irritante ver aqueles que ajudaram em sua ascensão se posicionarem como os guardiões da democracia, ao invés de seus próprios interesses. Mas sua partida seria bem-vinda, pelo bem do Brasil e do resto do planeta”, finaliza o jornal.

 

Fonte: UOL
Foto: Raul Spinassé/Folhapress