Falta pouco para o Remo voltar a campo. Após quatro semanas de preparação, o Leão encara o Águia de Marabá neste domingo. O técnico Mazola Júnior voltou a conversar com a imprensa na manhã desta quinta-feira e fez projeções do que espera de seus jogadores nos primeiros jogos, salientando que, apesar do bom feedback nos treinamentos, sabe que o time ainda apresentará deficiências em razão do tempo parado e da falta de ritmo de jogo.

– Assim como todas as equipes do mundo tiveram dificuldade nos primeiros jogos depois do retorno, a gente está ciente de que isso pode acontecer, de não se apresentar ainda na sua total forma, total qualidade. Tem ainda muitas situações que aconteceram no mundo, na retomada, em relação a lesões, então estamos preparando a equipe para que o Remo consiga, neste calendário, todos os seus objetivos, que não são fáceis, mas temos certeza que o Remo vem muito melhor depois dessa parada – salientou o treinador.

Como, no momento que concedeu a entrevista, ainda teria três sessões de treinamentos até a partida do domingo, Mazola Júnior preferiu não dar pistas sobre a provável escalação titular. Ele afirmou que já tem um time base projetado para domingo, porém só terá certeza mais próximo do confronto.

– A gente não tem frescura nem nada disso de esconder nada, mas existem algumas situações pendentes. Não vamos esquecer que nós estamos ainda a três dias do jogo, teremos mais três treinamentos antes. Então, para depois não falarem que eu usei alguma artimanha, que eu dei um time hoje e domingo entrou outro, eu gostaria de pedir para não dar o time hoje porque pode acontecer alguma mudança até domingo – explicou.

O técnico, porém, adiantou que prioriza o uso de atletas que se apresentaram logo na primeira semana da retomada, já que seu principal critério, por enquanto, será físico.

– A gente está trabalhando um time desde a primeira semana em que foram liberados os trabalhos com bola. Estamos trabalhando em uma estrutura e plataforma, estamos priorizando a parte física e principalmente o pessoal que está conosco desde o dia 1º –argumentou.

“Devemos manter a plataforma com quatro médios, dois atacantes, uma linha de quatro defensiva. A prioridade será, nestes primeiros jogos, muito mais pela parte física do que pelas partes técnica e tática”

O duelo contra o Águia de Marabá será no Baenão, a partir das 15h30 do domingo. Não haverá público presente. A partida será acompanhada pelo ge Pará em Tempo Real.

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Adaptação ao “novo normal”.
– Sabemos da importância e principalmente da influência que a torcida tem na parte emocional dos jogadores, e minha também. Mas a gente tem trabalhado sim uma equipe, um modelo de jogo que nós estendemos que será o ideal, com as variações que devemos ter também. Temos, à princípio, uma equipe definida para esse primeiro encontro. É a equipe que está a mais tempo a trabalhar, que se apresentou no dia 1º. A base deve ser por aí. E continuar o trabalho com aqueles que chegaram um pouco mais tarde, aqueles que tiveram algum problema físico, para que, na estreia da Série C, aí sim o grupo esteja todo preparado.

Suposto excesso de volantes e zagueiros no elenco.
– Eu escutei muito essa situação com relação a quantidade de volantes que a gente tinha, quantidade de zagueiros que a gente contratou… enfim, eu posso afirmar que hoje temos 20 jogadores de linha. E outra coisa que é bom também a gente partir para um lado de evolução, é que pós “7 a 1” bateu-se muito na tecla que os treinadores brasileiros estavam ultrapassados e precisavam se reciclar. Eu, na minha humildade, voltei à sala de aula, fiz quatro módulos na CBF. Sinceramente, de tudo que eu vi, a única novidade foi exclusivamente a nomenclatura. Então os volantes passaram a ser os médios. […] Garanto para a torcida que não fugimos em momento algum do planejamento que foi feito. O orçamento está sendo cumprido rigorosamente e essa história de nove volantes, não sei quantos zagueiros, faz parte do “métier” da mídia, mas nós, aqui dentro, não pensamos assim.

Aperfeiçoamento do plantel.
– No papel, aquilo que nós queríamos com relação ao grupo de trabalho foi alcançado, que é um time mais experiente, um time que vai sentir menos a pressão e a cobrança da torcida, um time que tem mais lastro com relação a acessos, de jogar em time grande e a toda pressão que envolve você trabalhar no Remo nesse momento de reestruturação. E da necessidade vital, para o clube, do acesso à Série B. Nessa situação eu acredito que o grupo do Remo vem muito mais forte. Vamos trabalhar para confirmar essa melhora, esse “upgrade” do grupo, dentro do campo.

Implantação do seu trabalho antes e após a paralisação.
– Muda muita coisa. Mudou a nossa metodologia de trabalho, que é totalmente diferente. Estamos passando por uma situação totalmente atípica de um tempo tão grande de paralisação. Estamos passando por uma reforma acentuada do plantel e, principalmente, uma reforma de mentalidade.

Mudança de mentalidade do clube.
– A principal situação que eu encontrei aqui no Remo, além do problema da imaturidade do grupo naqueles quesitos (experiência, lastro de acesso, enfim) foi o ambiente aqui dentro do clube e as situações que vinham, diariamente, de fora para cá. Isso a gente conseguiu mudar. O ambiente dentro do clube, hoje, está de vencedor, de time grande. Respira-se muito otimismo aqui, muita vibração positiva e um espírito de vencedor muito grande, de todos! Do homem que trata a grama, da secretaria, estafe, suporte, cozinheiro, comissão técnica, jogadores, diretoria e até o presidente. Por isso que em nenhum momento me deu temor de nada nesse “novo normal”.

Fonte: G1
Foto: Samara Miranda/Ascom Remo